segunda-feira, 3 de maio de 2010

CENA COTIDIANA

Estendida na corda para secar ao sol do quintal, aquela blusa amarela, de mangas longas, figura um maestro, regendo as outras roupas, que bailam à música do vento.

domingo, 2 de maio de 2010

RAPSÓDIA BRASILEIRA

Na abertura do jogo final do campeonato paulista de futebol, a Orquestra Filarmônica Bachianas executou o Hino Nacional como uma rapsódia, reestruturando os vários ritmos brasileiros. A emoção chegou ao ápice quando o poema épico brasileiro assumiu o samba e os milhares de torcedores dançaram ao som do Hino Nacional.

TERRY EAGLETON, TEORIA DA LITERATURA

"Escrever parece ser um ato que me rouba de meu ser: é um modo de comunicação alternativo, uma transcrição pálida e mecânica da fala e, portanto, sempre a uma certa distância da minha consciência. É por isso que a tradição filosófica ocidental, de Platão a Lévi-Strauss, sempre criticou a escrita como uma forma de expressão sem vida, alienada, e sempre elogiou a voz viva. Atrás desse preconceito está uma visão específica do 'homem': o homem é capaz de criar espontaneamente e de expressar suas próprias significações, de estar em plena posse de si mesmo, e de dominar a linguagem como um veículo transparente de seu ser mais íntimo. O que essa teoria não percebe é que a 'voz viva' é, na verdade, tão material quanto a palavra impressa; e já que os signos falados , da mesma maneira que os escritos, só funcionam por um processo de diferenciação e divisão, a fala pode ser considerada uma forma de escrita, tanto quanto se pode dizer que a escrita é uma fala alternativa". Tradução Waltensir Dutra, p. 141.

sábado, 1 de maio de 2010

O MEU JARDIM PÚBLICO

Foram cerca de três meses para o asfaltamento de minha rua, que se chama travessa, um período de barulho, poeira e angústia minha por não poder mais pisar o barro e sentir a chuva impregnada no solo. É o progresso, dizem todos, mas, para mim, é a caça de votos através do vertiginoso asfaltamento. Felizmente, consegui salvar do asfalto o trecho em frente ao muro de minha casa, em cujo terreninho plantei bromélias; duas bromélias floresceram logo logo e foram roubadas. Agora, as outras bromélias começam a florir e espero que não me abandonem. Hoje, ganhei da Roseana Murray uma muda da palmeira sagüá, que será mais uma conquista contra o asfalto e a favor do verde.

ROCÍO, ROCÍO, ROCÍO

Ontem, foi o aniversário de Rocío, minha sobrinhazinha argentina, a quem chamo de rainha andina, tão bela é ela. Quando, ao telefone, ela me disse literalmente: "Te extraño mucho", eu quase morri de saudades e tive uma vontade imensa de pegar um avião e ir direto a Salta, no Norte da Argentina, para abraçar e beijar essa menina, que nasceu sábia.

PROVOCAÇÃO DE IRMÃO

Hoje bem cedo, fui ao supermercado, aqui perto de casa, cujo proprietário é um libanês, vindo de Bzebedine-El Matn, mesma aldeia de meu pai. Reencontrando o Bassan, mostrei-lhe a imagem do cedro do Líbano que envergo em meu peito e disse-lhe que fora presente do presidente do Líbano com quem estivera, domingo passado, em recepção, no clube Monte Líbano, no Rio. Ele ficou furioso, esbravejando e me perguntando por que ele, libanês de sangue, não fora convidado para ver o presidente libanês e por que eu fora escolhido. Respondi-lhe que tinha recebido, por sedex, convite do consulado do Líbano, que recebera meu "curriculum vitae", vertido para o árabe. Diante de sua patriota revolta, afirmei-lhe que recepções de presidentes não são supermercados, onde todo mundo entra. Então, ele esboçou um sorriso fraterno. Agora, meu querido leitor virtual, cumpre-me informar que a medalha com o cedro me foi dada, há três anso, por Berta Antunes, excelente joalheira, amiga e ex-orientanda de mestrado em Ciência da Arte. Usei-a para provocar Bassan e a mentira funcionou até porque ele admirou muitíssimo a obra-de-arte. Outra informação: eu também sou "libanês de sangue", mesmo que gloriosamente misturado com o sangue caboclo de mamãe.

DO MESTRE, COM CARINHO

Quinta-feira passada, quando eu chegava, bem cedinho, ao "campus" do IACS (Instituto de Artes e Comunicação Social, da UFF), onde atuo (ministro aulas, igualmente, no "campus" do Gragoatá), fui abordado por um aluno, que, de chofre, me disse: "Muito obrigado, professor, pelo belo presente de aniversário que me deu". Diante de minha surpresa, explicou-me que, na quinta-feira anterior, ele aniversariava e tivemos uma belíssima aula de "Ética & Estética", disciplina de que sou, há muito, titular. Esse jovem chama-se Richardson (por ora, ainda não me lembro de seu sobrenome, apenas do apelido, Ricky) foi meu melhor aluno no semestre passado, cursando a disciplina "Fundamentos da Literatura", em que se revelou, tanto ética quanto esteticamente verdadeiro artist. Jamais esquecerei o amplo sorriso dele ao me agradecer o insupeito presente de um aniversário não anunciado.