quinta-feira, 6 de maio de 2010
NOTURNO DE BELO HORIZONTE (fragmento), MÁRIO DE ANDRADE
Que importa que uns falem mole descansado
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais?
Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal...
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais?
Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal...
VITÓRIA SHERAZADE LATIFA, ABSOLUTA
Desde alguns dias, tenho, em minha sala de banho, uma balança, que ganhei numa compra efetuada via televisão. Não gosto de me pesar, porque sempre me acredito gordo. Inda há pouco, Vitorinha subiu na balança e lhe perguntei: quantos quilos você está pesando, Vitorinha? E ela, do alto de sua esbelteza, me respondeu bem zen: "Estou crescendo".
JULIANA RAMOS, PROFESSORA E PRODUTORA CULTURAL, Canção de Ninar os Deuses
Lá vem...lá vem...lá vem...
O Deus do Sol, o Astro Rei!
Iluminando corações,
Sorrindo canções,
Exibindo as emoções e os olhos.
É ele, com toque de Minerva
Mãos de Midas...
Espalhando amor aonde vai
Manchando as almas de carnavais...
Lá vai...lá vai...lá vai...
Latuf...Deus da Paz!
Lá vai...lá vai...lá vai...
Um Rei, um Pai!
O Deus do Sol, o Astro Rei!
Iluminando corações,
Sorrindo canções,
Exibindo as emoções e os olhos.
É ele, com toque de Minerva
Mãos de Midas...
Espalhando amor aonde vai
Manchando as almas de carnavais...
Lá vai...lá vai...lá vai...
Latuf...Deus da Paz!
Lá vai...lá vai...lá vai...
Um Rei, um Pai!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
SAQUAREMA, JUAN ARIAS. TRADUÇÃO LIVRE MINHA
Tu nombre blanco, de plata, Teu nome branco, de prata,
lo inventaron las sirenas inventaram-no as sereias
una noche de cristal, numa noite de cristal,
cuando viejos marineros quando velhos marinheiros
se jugaban la luna y el mar. brincavam com a lua e o mar.
La virgen niña de Nazareth A virgem-menina de Nazaré
se enamoró de tu luz. enamorou-se de tua luz.
Llegó surcando los cielos Chegou sulcando os céus,
desde su aldea bendita vindo de uma aldeia bendita
de apóstoles y profetas, de apóstolos e de profetas,
manos preñadas de sol. com as mãos prenhes de sol.
Tu nombre de música azul Teu nome de música azul
evoca viejas raices, pájaros, evoca velhas raízes, pássaros,
pueblos llegados de lejos, povos chegados de longe,
arrastrados por la mar, arrastados pelo mar,
sus manos llenas de paz. com mãos cheias de paz.
Los gavilanes planean Os gaviões planam
sobre tus playas y plazas sobre tuas praias e praças
trazando con sus volteretas traçando com seus volteios
la música de tus amores, a música de teus amores
para que dancen desnudas para que dancem desnudas
las diosas del horizonte. as deusas do horizonte.
De dia eres clara centella, De dia, és clara centella,
tus tardes tuas tardes,
oro de girasoles. ouro de girassóis.
Las garzas de nieve de tu lago As garças de neve de teu lago
vigilan silenciosas y etéreas vigiam silenciosas e etéreas
el abismo de tus noches. o abismo de tuas noites.
Tus gentes humildes de aldea Tua gente humilde de aldeia,
dulce de miel y guayaba, doce de mel e goiaba,
tus pescadores, teus pescadores,
el silencio denso de las redes o silêncio denso das redes
en un mar de noches doradas. num mar de noites douradas.
Tus mujeres, Tuas mulheres,
vestidas de espuma vestidas de espuma,
perfumadas de romero. perfumadas de alecrim.
Tus niños y niñas, Teus meninos e meninas,
jilgueros enamorados, pintassilgos enamorados,
danzan con el viento dançam com o vento,
jugando con las estrellas, brincando com as estrelas,
Son esperanza alada. são esperança alada.
Saquarema, Saquarema,
tu nombre blanco, de plata, teu nome branco, de prata,
deja que yo te ame, deixa que eu te ame,
deja que yo te cante. deixa que eu te cante.
lo inventaron las sirenas inventaram-no as sereias
una noche de cristal, numa noite de cristal,
cuando viejos marineros quando velhos marinheiros
se jugaban la luna y el mar. brincavam com a lua e o mar.
La virgen niña de Nazareth A virgem-menina de Nazaré
se enamoró de tu luz. enamorou-se de tua luz.
Llegó surcando los cielos Chegou sulcando os céus,
desde su aldea bendita vindo de uma aldeia bendita
de apóstoles y profetas, de apóstolos e de profetas,
manos preñadas de sol. com as mãos prenhes de sol.
Tu nombre de música azul Teu nome de música azul
evoca viejas raices, pájaros, evoca velhas raízes, pássaros,
pueblos llegados de lejos, povos chegados de longe,
arrastrados por la mar, arrastados pelo mar,
sus manos llenas de paz. com mãos cheias de paz.
Los gavilanes planean Os gaviões planam
sobre tus playas y plazas sobre tuas praias e praças
trazando con sus volteretas traçando com seus volteios
la música de tus amores, a música de teus amores
para que dancen desnudas para que dancem desnudas
las diosas del horizonte. as deusas do horizonte.
De dia eres clara centella, De dia, és clara centella,
tus tardes tuas tardes,
oro de girasoles. ouro de girassóis.
Las garzas de nieve de tu lago As garças de neve de teu lago
vigilan silenciosas y etéreas vigiam silenciosas e etéreas
el abismo de tus noches. o abismo de tuas noites.
Tus gentes humildes de aldea Tua gente humilde de aldeia,
dulce de miel y guayaba, doce de mel e goiaba,
tus pescadores, teus pescadores,
el silencio denso de las redes o silêncio denso das redes
en un mar de noches doradas. num mar de noites douradas.
Tus mujeres, Tuas mulheres,
vestidas de espuma vestidas de espuma,
perfumadas de romero. perfumadas de alecrim.
Tus niños y niñas, Teus meninos e meninas,
jilgueros enamorados, pintassilgos enamorados,
danzan con el viento dançam com o vento,
jugando con las estrellas, brincando com as estrelas,
Son esperanza alada. são esperança alada.
Saquarema, Saquarema,
tu nombre blanco, de plata, teu nome branco, de prata,
deja que yo te ame, deixa que eu te ame,
deja que yo te cante. deixa que eu te cante.
AMÉM, DE COSTA-GRAVAS
"Amém" (2002), de Costa-Gravas, não é apenas mais um filme sobre nazismo, que exterminou judeus, ciganos, deficientes físicos e homossexuais, tema abordadíssimo, no cinema contemporâneo, sobretudo quanto ao genocídio judaico. "Amém" filma a consciência, com seus dramas, mas, principalment, expõe, com imagens e interstícios, o silêncio da Igreja Católica com relação ao extermínio de milhões de judeus, praticado por Hitler. Não se apresentam torturas nem os horrores, que ficam subtendidos, através, por exemplo, do buraco de uma fechadura e, constantemente, por um trem, que atravessa, em alta velocidade, a tela inteira e que solta uma fumaça negra: aquele trem intempestivo vai para os campos de concentração. Há uma cumplicidade, velada e revelada pelo filme. Apenas um padre - um jesuíta -, justamente uma sociedade, considerada a mais arrojada, dentro do Catolicismo, que ousa enfrentar o Vaticano e expõe a Pio XII (nada piedoso)a tragédia que está acontecendo. A estrela de Davi, pregada na batina preta do Pe. Riccardo Fontana, simboliza uma reconciliação, talvez impossível, mas, quem sabe, sonhada. A palavra "Amém", da liturgia católica, é pronunciada por esse padre-herói, que não se resigna com os horrores nazistas, mas suplica misericórdia a Deus; é uma releitura do "Pai, pai, por que me abandonaste", gritado por Cristo, na cruz. No filme, a cruz é estrelada.
MANIA DE MOCHILAS
Foi meu amigo Juan Arias quem chamou minha atenção para o grande número de mochilas que tenho. Com efeito, vou colecionando mochilas, bolsas, malas, que considero um acessório fundamental, combinando com minha roupa e meu humor. Tenho-as de todos os tipos, cores e formatos e gosto de carregá-las como uma extensão de meu corpo. A mais recente mochila que comprei é uma "Nike", azul-bebê, que se carrega de maneira atravessada e tem vários compartimentos (noto que, na China, de onde vêm essas mochilas, gostam de bolsinhos dentro da mochila). Acabo, também, de adquirir uma bolsa, que usarei na minha próxima viagem a São Paulo para o lançamento do livro sobre Nelson Rodrigues, de meu querido Joel Cardoso, lá da UFPA. Vi, na vitrine, aqui em Saquarema, essa bolsa que, logo, me quis: é toda grafitada, com cores alucinantes, cítricas, bantaste carnavalesca, o que quebrará a talvez sisudez de minha indumentária para a Casa das Rosas, na Avenida Paulista.
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