quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SABEDORIA ANIMAL

Neste verão bárbaro
Miro-me nas tartarugas
Fico escondidinho

SAUDADE

Saudades da Bertha
"Saudade" é signo que entranha
Saudades da Mãe

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Symphony No. 45 (Haydn)

Symphony No. 45 in F-sharp minor, known as the "Farewell" Symphony (in German: Abschieds-Symphonie), was composed by Joseph Haydn in 1772.

It was written for Haydn's patron, Prince Nikolaus Esterházy, while he, Haydn and the court orchestra were at the Prince's summer palace in Eszterhaza. The stay there had been longer than expected, and most of the musicians had been forced to leave their wives back at home in Eisenstadt, so in the last movement of the symphony, Haydn subtly hinted to his patron that perhaps he might like to allow the musicians to return home: during the final adagio each musician stops playing, snuffs out the candle on his music stand, and leaves in turn, so that at the end, there are just two muted violins left (played by Haydn himself and the concertmaster, Alois Luigi Tomasini). Esterházy seems to have understood the message: the court returned to Eisenstadt the day following the performance.

The first movement of Symphony No. 85 contains a reference to this symphony

HAICAI DE VERÃO

Meu jardim quieto
Cigarras são estridentes
Rompem o silêncio

CLÁUDIA DAMASCENO, ORACULAR

Meu querido Amor,
venho acompanhando a sua produção poética de férias e me dou conta de que você está vivendo a plenitude...
Sim.

E a plenitude significa o momento, o ápice e também a colheita. Em verdade, ( a verdade é de cada um ), você está onde você deveria estar, desfrutando dos relacionamentos que nos fazem sentir vivos, estar vivos, e é onde existimos realmente, produzindo poesia.
Te amo, meu poeta. Obrigada por você existir na minha vida.
Cláudia

CHEZ BERTHA KLIGERMAN

A casa de Bertha Kligerman, em Teresópolis-RJ, tem belas peças antigas, que ela, estilista e artista de vanguarda, colheu em suas viagens mundo afora. Como sou colecionador esteta, conservando, em minha casa-santuário-museu-monastério-tebaida-memorial, obras de arte, também adquiridas em minhas façanhas de "globetrotter", fiquei encantado com o que vi na decoração da casa de minha mais jovem amiga, de quase 90 anos. Contemplava eu aqueles objetos, quando Roseana Murray, sua primogênita, chamou minha atenção para uma boneca de cristal da Boêmia, com uma saia amarela, porque guardava um licor dessa cor. Dizia-me a consagrada ecritora que aquela boneca a impressionava muito, quando ela era criança, até porque a mãe-modista vestia com licores de cores diferentes, por exemplo, a blusa branca e a saia vermelha, usando-a, quem sabe, pensava eu, como manequim. Curiosíssimo como todo esteta que se preza, peguei a boneca, que estava soberana em cima do movel, também de estilo. Comecei a analisar a peça, considerei-a, dado a seu ar enigmático, quase uma múmia egípcia, observei seus detalhes e quis virá-la de cabeça para baixo, como se faz com as porcelas, no sentido de saber sua origem. Bertha afirmava que a trouxera de Roma. Quando fiz o movimento para olhar a base da boneca, derramou-se o líquido amarelo que foi manchar, justamente, o vestido novinho de Roseana, que usava para irmos à festa de 90 anos de Jacob, marido de Rivka. Fiquei envergonhadíssimo com o sucedido. Evelyn, a filha-caçula, acudiu imediatamente e foi jogar detergente no vestido; depois, Roseana teve que usar o vestido de sua tia Alice, aliás um lindo tubinho, que combina com a cor de cobre de seus eslavos cabelos. A todo momento eu me desculpava, me dizia "maladroit", "gauche", como Drummond, desajeitadíssimo, enfim. Eu estava no meio de meu mais cruel constrangimento quando Bertha, do alto de sua sabedoria zen, me consolou maternalmente: "Não há problema!"

DE COMO SURGIU O BUDISMO

O Budismo surgiu da insatisfação de um jovem príncipe, chamado Sidarta Gautama Sakyamuni, que nasceu na cidade de Kapilavastu, localizada no centro-norte da Índia, atualmente Nepal, no oitavo dia do quarto mês, há Aproximadamente 565a.C.
Conta a tradição que Sidarta levava uma vida luxuosa, cheia de confortos e regalias, sem que nada lhe pudesse dar a idéia das agruras e vicissitudes da vida. Seu pai, o Rei Sudodhana, empenhava-se tanto em mantê-lo afastado dessas realidades, que proibiu-o de ultrapassar as muralhas do palácio, onde ele usufruía do luxo e da riqueza. Alimentos maravilhosos, contato somente com pessoas bonitas e alegres, belos e bem cuidados jardins e pomares, enfim, tudo aquilo que um ser humano pode desejar como agradável para os sentidos.
Após certos acontecimentos, o jovem Sidarta resolveu sair do palácio e aventurar-se pelas estradas e cercanias da cidade que seu pai governava. Conta a tradição, que num dado momento, ele viu um homem extremamente velho, enrugado, encurvado que caminhava com bastante dificuldade, apoiando-se sobre uma bengala. Aquilo o deixou horrorizado, porque ele nunca havia se dado conta de que as pessoas envelheciam e entravam em decadência física.
Continuando o passeio, o príncipe encontrou um outro homem que chamou sua atenção, desta vez não tão velho, mas com o corpo e o rosto inteiramente dilacerados por feridas causadas por algum tipo de doença terrível. Isso foi um novo choque. Em toda a sua jovem vida, ele jamais percebera que as pessoas podem ser acometidas por doenças horríveis.
Mais adiante, ele se deparou com um cadáver já meio devorado pelos lobos e chacais. Aquilo o abalou profundamente. Sidarta não tinha consciência de que na vida todos caminham incessantemente para a morte.
No caminho de volta, ele se deparou com um peregrino (espécie de homem considerado santo na Índia - sadhu), que apesar de quase nu, e sem nada possuir, além de uma tigela para mendigar comida e um bastão, aquele homem parecia estar tranquilo, seu rosto irradiava paz, dignidade e contentamento.
Profundamente combalido e decepcionado com as cenas terríveis que presenciara em seu passeio e, assustado por não ter tido anterior conhecimento sobre tudo aquilo que presenciou, retornou ao palácio. Ali refletiu longamente e qualificou o que vira como as três marcas da impermanência (velhice, doença e morte). Entretanto, a lembrança do peregrino deu-lhe a certeza de que a única maneira de extinguir aquela angústia imensa que dele se apoderara era o abandono físico e mental daquela vida de confortos e acomodação material. Tomada essa decisão, assim ele fez, abandonou a casa paterna para tentar encontrar uma resposta para tanto sofrimento por que passam os seres.
Durante os seis anos seguintes, o ex-príncipe estudou com os maiores mestres da época todos os modos de espiritualidade conhecidos até então. Desde o estudo erudito das mais profundas leis espirituais, até a mortificação mais severa. Mas, nada disso o satisfez, não tinha encontrado ainda o lenitivo final para as angústias e sofrimentos humanos, fossem eles físicos ou mentais.
Após ter percebido que ainda não fora inventado o remédio para aquele tipo de "doença", resolveu ele, por conta própria, tentar descobri-lo. Desta vez iria procurar a resposta dentro de sí, pois inutilmente a procurara fora e não a encontrara. Sentou-se debaixo de uma velha e imponente figueira, disposto a não mais se levantar até descobrir o fim do sofrimento. Ali ficou durante 49 dias, em profunda e silenciosa meditação. Sidarta, então experimentou e ultrapassou todos os níveis de consciência, chegando até a suprema iluminação, o Nirvana. Neste momento, ele transformou-se no Buda, que significa "o supremo iluminado, totalmente consciente" . Contava ele com 35 anos de idade. A partir deste momento, e até o dia de sua morte aos 80 anos, ele viajou por todo o noroeste da Índia, partilhando com um número crescente de discípulos as suas experiências e sua luz.
O Budismo baseia-se no conceito de que tudo é ilusório, transitório e portanto impermanente. A busca essencial consiste em se ultrapassar a ilusão rumo à perfeita consciência, que é o estado de Nirvana. É também conhecido como o "Caminho do meio", por afastar-se dos extremos, tais como escetismo de um lado e luxuosidade de outro. Além desses elementos a doutrina budista baseia-se também nas Quatro Nobres Verdades e na chamada Nobre Senda Óctupla.
O budismo ao longo de todos esses séculos dividiu-se em três principais ramificações: O budismo Theravada, ou a doutrina dos antigos. É um sistema muito ortodoxo, baseado nos princípios monásticos indianos. O budismo Zen, que é a forma chinesa e japonesa de explicar a doutrina. É considerada a maneira mais rápida e direta de se compreender o método de iluminação de Buda. Dá muita ênfase na meditação e nas artes. É o ramo de maior prestígio no Ocidente. O budismo Tibetano ou Lamaismo é o sincretismo entre o Budismo, o Tantrismo e o Bon Po (prática Xamânica que era a religião original do Tibete).
Assim como todas as grandes religiões, o Budismo tem muito de sabedoria para nos oferecer. Na próxima semana, mais história sobre Buda e sua filosofia.

*Getúlio Taigen é monge Budista Zen, com ordenação leiga