terça-feira, 6 de julho de 2010

MAIS DE 72 NOMES PARA LATUF

Latufé, Latufiel, Latufervoroso, Latufanático, Latufan, Latufesta, Latufeérico, Latouféerie, Latufamélico, Latufaminto, Latufama, Latufake, Latufalho, Latufenomenal, Latufrenesi, Latufandango, Latufantástico, Latufresco, Latufamília, Latufantasma, Latufirme, Latufabulando, Latufilho, LatUFF, Latufanfarra, Latufirifinfin, Latufair, Latufuck, Latufoda, Latufofo, Latoufauve, LatuFAFIMA, Latuflorestamazônica, Latouflamboyant, Latufilme, Latufotografia, Latufalso, Latuforte, Latufechadura, Latufiufiu, Latufresta, Latufiandeiro, Latufinanceiro, Latufessor, Latuface, Latufruta, Latuflores, Latufim, Latufolhagem, Latoufemme, Latufrustrado, Latufaber, Latufazenda, Latufera, Latufronde, Latufrente, Latufarfalla, Latoufrère, Latufrater, Latufendi, Latufenício, Latufonfon, Latufun, Latuforró, Latuforall, Latufiníssimo, Latufraco, Latufine, Latufour, Latufurniture, Latuforza, Latufavorito, Latufiorucci, Latufiorella, Latufiligrana, Latufernandino, Latufogo, Latufulgurante, Latufogoso, Latuflumen, Latufluminense, Latufutebol, Latufálico, Latufreund, Latufriend, Latufriorento, Latoufoulard, Latoufou, Latoufêtard, Latufräulein, Latoufainéant, Latufurioso, Latufuribundo, Latufatal, Latufetal, Latufascínio, Latoufindesiècle, Latufirenze, Latufiumicino, Latuflama, Latufarra, Latuflair, Latufarsa, Latupharmakon, Latufilósofo, Latufurbo, Latufeelings, Latufaro, Latufarol, Latufelizardo, Latufanfarrão, Latufada, Latufugidio, Latufujão, Latufavo, Latufarinha, Latufarofa, Latufeijão, Latufofoca, Latufather, Latoufrance, Latoufrancophone, Latoufrancophile, Latufao, Latufifa, Latoufoliesbergères, Latoufrisson, Latufrufru, Latuforma, Latufrugal, Latruque, Lassurf, Lafoco, Laturco, Latufirme, Latufigura, Latufax, Latufashion, Latufigurino, Latufrevo, Latufolião, Latufaraó, Latufiligrana, Latufalanstério, Latufalso, Latufidedigno, Latufetiche, Latufinisterrae, Latufunkjamais, Latufundamental, Latufornication, Latufucral, Latufurtacor, Latufértil, Latuforasteiro, Latufuniculifuniculà, Latrufa, Latufacetas, Latufalácia, Latuférreo, Latufluir, Latuflexão, Latuflecha, Latufamaior, Latufricote, Latuforlan, Latufaísca, Latufiat, Latufieri, Latufactotum, Latufelino, Latuferino, Latufrankfurt, Latufosco, Latufórum, Latufausto, Latufácil, Latufútil, Latufurdunço.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

LETÍCIA VELLOSO

Latuf, a morte do José Saramago abriu uma ferida no meu peito. Adoro os livros dele. Com relação ao texto abaixo, li este livro, "As Pequenas Memórias". Chorei quase da 1ª à ultima folha, lembrei do meu amado avô. Em alguns trechos as lágrimas impediamn que a leitura fosse adiante:
"Muito mais tarde, já tinham passado há muito os meus quarenta anos, comprei num antiquário de Lisboa um relógio semelhante que ainda hoje conservo, como algo que tivesse ido pedir emprestado à infância."
"... na minha frente, entornando leite sobre a noite e a paisagem, havia uma lua redonda e enorme..."
" Cai a chuva, o vento desmancha as árvores desfolhadas, e dos tempos passados vem um imagem, a de um homem alto e magro, velho, agora que está mais perto, por um carreiro alagado. Traz um cajado ao ombro, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu." Lindo demais!!!

Latuf, parecia que estava vendo o meu amado, sábio e analfabeto avô Homero. Que saudade...
Beijos,
Letícia.

sábado, 3 de julho de 2010

VIAGENS ASTRAIS

Recém-chegados de um tour pela Côte d'Azur, Toscana e por Paris, Hélio & Fernando convidaram-me para jantar no seu maravilhoso sítio, aqui, no bairro da Barreira. Imaginava eu que seria a ocasião propícia para que eles me relatassem a tão sonhada viagem. Nosso reencontro foi muito além de minhas expectativas, na medida em que, logo ao chegar à entrada soberba do sítio, acenderam todos os faróis do carro para que eu pudesse ver a placa "Quinta da Harmonia", em azulejos azuis e doirados, que trouxeram da Itália. Está, assim, batizado o sítio com o título do poema que escrevi,lá se vão dois anos, em homenagem àquele paradisíaco lugar. Inuagurada a placa, com direito a fotografias e a um champagne, que nos esperava nos salões da mansão, adentramos aquela triunfal alameda, que vai criando, no visitante, um clima de calorosa intimidade; Hélio, por exemplo, conhece de cor todas as árvores e flores daquele exuberante bosque, muitas delas por ele plantadas. Não bastasse a felicíssima surpresa da placa, tornada, ela mesma, um poema, tive, ainda, a felicidade de conhecer Jostemídio Silva de Abreu, que, no salão, repleto de obras-de-arte e de peças cusquenhas, falava de coisas espirituais e místicas. Eu estava boquiaberto diante da tamanha sabedoria do Jô, como é chamado pelos amigos e já por mim. Guru, vidente, tarólogo, astrólogo, Jô ultrapassa classificações e é, para mim, um ser humanamente extraordinário, mesmo conservando uma simplicidade franciscana. Hélio e Fernando não falaram de sua esplêndida viagem à Europa, até porque, naquela noite de céu estreladíssimo, valor mais alto se alevantava.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MEMORIES IN RIO

Ontem, comprei, nas Lojas Americanas, do Baymarket, em Niterói-RJ, uma preciosidade: o "dvd" Queen live, ao vivo no Rock in Rio 1985, a que, emocionadíssimo, acabo de assistir. Com efeito, eu, com meu filho Otávio, era um dos milhares e milhares de espectadores daquele megaevento. Havia, de Icaraí, em Niterói, um ônibus que ia direto ao Rio Centro, local das apresentações, um ônibus recheado de jovens e onde estava liberado o uso da maconha. Muitas vezes, fiquei dependurado nos ombros do meu filho, assim poderia ver melhor o que se desenrolava no palco. Jamais esquecerei a "ouverture", feita por Ney Matogrosso, todo de branco vestido, cantando "Rosa de Hiroshima", belíssimo poema de Vinícius de Moraes; após sua apresentação, soltou um bando de pombas brancas, simbolizando a paz. Outro momento apical, no primeríssimo dia, foi quando James Taylor, também envergando túnica branca, entoou o hino "We got a friend", fazendo com que toda a multidão, silenciosa, se sentasse no lamaçal geral. Sempre gostei imensamente do Queen, sobretudo em suas canções sinfônicas, acompanhadas ao piano por Freddie Mercury, que encarna toda a sensualidade africana (de pais persas,ele nasceu em Zanzibar); é um Rick Martin mais másculo. É imbatível a peça "Bohemian rapsody", bem como é impactante a canção "Love of my all", que o Rio Centro cantou em coro. No "show", Freddie Mercury falou algo em português, como, "Olá, Brasil!", "Olá, Rio!", "estão felizes?", expressões certamente aprendidas com algum namorado brasileiro. Ninguém me tira da cabeça que o rebolado de Freddie foi ensaiado na boate Sótão, reduto "gay" carioca dos anos 80. Ele, estrela máxima, ainda se apresentou enrolado na bandeira brasileira, "auriverde pendão da minha terra", como cantou, divinamente, em "Navio Negreiro", o baianíssimo Castro Alves. No "dvd" consta, ainda, a canção "We are the champions of the world", que vem a calhar com este momento eufórico da copa de futebol, na África do Sulo.

Discurso de José Saramago na Academia Sueca ao receber o Prêmio Nobel de Literatura

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram
analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao
ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às
pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo
das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do
enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de
pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei
lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de
ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a
transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das
searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos
depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz
noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e
depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu
noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo,
surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago,
como ainda lhe chamávamos na aldeia.

Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso
dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a
ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com
porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de
ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô
Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte
o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por
uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a
ver."

P.S. "Mutatis mutandis", eu sempre disse que minha Tia Laiafoi a pessoa mais sábia que conheci e que, tampouco, sabia ler nem escrever. porque jamais, no Líbano ou no Brasil, andara por escolas, mas que criara, com extrema sapiência, suas filhas e me adorava ver dançar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

LÍBANO-FENÍCIA.

Desembarcava eu em Orly, aeroporto de Paris, quando uma senhora, muito elegante, à minha frente, foi perguntada na alfândega: "D'où venez-vous, Madame?", ao que ela respondeu em alto e bom som: "De Beyrouth". Jamais esquecerei a ênfase da resposta de alguém que vinha de um país, bombardeado por Israel e pela Síria, e que sabia que o Líbano, ou Fenícia, renasce sempre, gloriosamente, de suas cinzas.

INQUIETAÇÃO

Hamilton de Mattos Monteiro, mentor de minha entrada na UFF e meu real pai acadêmico, disse-me, certo dia, que estaria feliz quando lhe cessasse a libido. Faz algum tempo, ele faleceu, ainda jovem. Hoje, me pergunto se felicidade tem a ver com a extinção do fogo sexual.